“Un homme qui dort” (1974)
Dir. Bernard Queysanne.
Foi esclarecedor, depois que comecei a valorizar o que sou, consequentemente algumas pessoas começaram a não ser o bastante para mim, de repente quem me tratava feito lixo me pareceu não ser tão importante assim.
Holocausto suburbano.
À noite o mundo lá fora virou uma bagunça pela ventania da chuva, ela agradeceu, pela confusão lá fora se distraiu da que passava dentro.
Holocausto suburbano.
Ela não ama ninguém, apenas ela mesma e não digo no sentido positivo como amor próprio, vai muito além disso, é uma espécie de só querer atenção pra si, pessoas como fantoches em suas mãos.
Por um tempo acreditei que a poesia só exista no amor ou na tristeza, quase o lance de casamento, hoje imersa no vazio já não me encaixa tanto essa ideia, porque até agora, mesmo oca, são as palavras que me salvam, todos os dias.
Me fazia um mal danado ficar longe, por isso tentei impedir que a distância se intensificasse entre a gente, mas quando você ficava não fazia bem algum, era como machucar uma cicatriz e então percebi que algumas coisas nunca mais voltam a ser como antes e que talvez sejam melhores guardadas nas lembranças onde existem momentos felizes do que forçar um futuro desastroso. Adeus.
Holocausto suburbano.
Nós estávamos os dois remando, tentando, dominados pelo medo do próximo passo. Então decidi pular, eu iria mergulhar de cabeça naquela relação, mas quando subi na superfície, você ainda estava no canto do barco, afastado, esperando chegar em terra firme, você desceu e acenou, falou que sempre teve receio de coisas profundas e eu, bom, afundei. Feito naufrágio.
Holocausto suburbano.
As pessoas diziam que era impossível o dia ter horas a mais ou a menos, mas vejam só, eu novamente aqui para os provar do contrário. Acordei as 6 da manhã e agora as 9 meu dia já terminou, sem as vinte, hoje somente as quatro horas bastaram, ultimamente tem sido assim, o que seguir de agora em diante são só horas paralelas de um mundo do qual não pertenço mas insisto em fingir fazer parte, mas não faço de nenhum outro.
holocausto por dentro





